Especialidades
Tratamento do Ceratocone
O ceratocone, geralmente descoberto nos exames de rotina realizados pelos oftalmologistas, é uma condição incomum que afeta a córnea – a parte transparente na frente do olho.
Devido ao seu formato suavemente curvo, a córnea saudável age como uma poderosa lente que conduz os raios de luz para o foco na retina, no fundo do olho.
No ceratocone, a córnea torna-se progressivamente angular, no formato de um cone, causando a miopia e, no caso da angulação muito irregular, o astigmatismo (distorção da visão).
A causa específica da doença é desconhecida, mas considera-se a existência de um componente genético forte.
Os tratamentos oferecidos pelo IOC para o ceratocone são:
- Crosslinking®.
- Implante de anéis intraestromais (Anel de Ferrara).
- Transplante de córnea.

Crosslinking® – Tratamento do Ceratocone:
O ceratocone pode ser tratado com um procedimento relativamente novo, chamado Crosslinking®, que proporciona o fortalecimento da córnea, estabilizando a ectasia (afinamento da córnea).
Até o momento, não é sabido se o efeito estabilizador do Crosslinking® no ceratocone é permanente: pacientes com ectasia progressiva foram tratados e acompanhados por seis anos, sem evidência de mudança em sua condição pós-procedimento. Mas o tratamento pode ser repetido, se necessário.
O Crosslinking® foi aprovado na Suíça e posteriormente em toda a Europa há mais de oito anos, como um tratamento seguro, muito promissor e que pode tirar pacientes da fila do transplante de córnea.
O IOC, mais uma vez, saiu na frente e foi a primeira clínica oftalmológica a trazer essa tecnologia para o Brasil.
Como funciona o Crosslinking®?
A maior parte da córnea é constituída por fibras de colágeno que são agrupadas em camadas. A força e a rigidez da córnea são parcialmente determinadas pela firmeza da ligação entre as fibras.
Com o decorrer do tempo e devido ao cruzamento natural entre as fibras (Crosslinking), a córnea torna-se progressivamente mais rígida.
A riboflavina (vitamina B2) é um composto naturalmente presente no organismo e que absorve muito fortemente a luz UV. Ao aplicarmos a riboflavina na córnea em associação com uma fonte de luz UV, a riboflavina não apenas potencializa o efeito de Crosslinking® da luz UV, como também absorve o excesso de luz para que as camadas interiores da estrutura da córnea fiquem protegidas.
Os benefícios do Crosslinking®
O Crosslinking® é bastante eficaz para estabilizar a ectasia corneana progressiva (ceratocone) e, em alguns pacientes, o tratamento propicia ainda um benefício adicional quanto à diminuição da angulação e irregularidades da córnea. Isso significa redução na miopia e no astigmatismo associados à ectasia.
A correção da visão da miopia e do astigmatismo por laser era contraindicada nos casos de presença do ceratocone.
Isso porque, ao remover o tecido corneano com laser, a córnea iria tornar-se ainda menos estável e o ceratocone progrediria.
Atualmente, uma vez que o ceratocone esteja controlado pelo Crosslinking®, é possível realizar a cirurgia a laser enquanto ainda estiver mantida a estabilidade estrutural da córnea.
A correção ocular a laser busca restaurar o formato mais esférico da córnea (ablação padrão). Qualquer defeito óptico remanescente pode ser potencialmente corrigido com óculos, lentes de contato gelatinosas ou com implantes intraoculares. Esse tratamento só é possível quando realizado de forma personalizada, com o auxílio do Topolyzer e do Oculyzer guiando a aplicação do laser Allegretto sobre as áreas irregulares.
O IOC detém grande experiência nos tratamentos a laser com Crosslinking® nos casos de ceratocone.
Riscos do Crosslinking®
Sabe-se que a luz UV é prejudicial às células e que o tratamento para ceratocone faz com que as células estromais (ceratócitos) nas camadas exteriores das partes tratadas da córnea, morram.
No entanto, essas células são substituídas por novos ceratócitos que migram das partes não tratadas da córnea para dentro da área central, em um prazo de alguns meses após o tratamento.
Em teoria, a luz UV pode ser prejudicial à camada endotelial da córnea, razão pela qual a espessura da córnea deve ser de, pelo menos, 350 micra, para o tratamento padrão de ceratocone.
Nos estudos clínicos realizados até agora, nenhuma evidência de dano à camada de células endoteliais foi documentada.
Ainda que o UV seja potencialmente prejudicial ao cristalino e à retina, acredita-se que a riboflavina inibe sua transmissão a ponto de não haver dano mensurável.
Até o momento, os efeitos em longo prazo do tratamento para o ceratocone são desconhecidos.
Como o Crosslinking® é realizado?
O Crosslinking® é feito com anestesia tópica (gotas de colírio). A superfície da parte central da córnea é removida e são aplicadas gotas de riboflavina durante cerca de 30 minutos.
Depois que a riboflavina tiver penetrado bem no olho, a luz UV é focalizada sobre a área central da córnea por 30 minutos.
Por fim, são colocadas lentes de contato como forma de curativo e que serão usadas por, pelo menos, sete dias, até que a superfície da camada epitelial esteja cicatrizada.
Durante os primeiros dias pode ocorrer fotofobia e lacrimejamento.
Nos primeiros meses após o tratamento, geralmente, ocorrem embaçamentos e oscilação da visão, que só irão estabilizar-se a partir de, pelo menos, dois meses.
Implante de Anéis Intraestromais:
Um tratamento alternativo para o ceratocone é o implante de anéis intraestromais.

Este é um tratamento cirúrgico indicado para o ceratocone de grau leve a moderado.
Quando inserido dentro da córnea, o anel torna o perfil da córnea central mais achatado e mais regular, o que diminui o defeito óptico (alto astigmatismo com miopia associada, ou não).
Os anéis intraestromais são segmentos em formato de um semicírculo de Polimetilmetacrilato (PMMA), que são inseridos no fundo do estroma, camada central da córnea. Foram originalmente projetados para o tratamento da miopia de baixo grau e, tipicamente, corrigem de duas a três dioptrias de miopia ou de astigmatismo mióptico.
Como o ceratocone frequentemente vem acompanhado de miopia e astigmatismo moderado a alto devido à angulação irregular da córnea, o implante dos anéis diminuirá o defeito óptico.
Com isso, a miopia e o astigmatismo remanescentes podem ser corrigidos pelo uso de óculos ou lentes de contato.
Implante de Anéis Intraestromais – Procedimento Cirúrgico:
A cirurgia é realizada somente com anestesia tópica (gotas de colírio).
Uma incisão de dois milímetros é feita dentro da córnea a uma profundidade de cerca de dois terços da sua espessura. Um instrumento especial é utilizado para preparar o leito sobre o qual os anéis serão inseridos (tunelização). Em seguida, é feito o implante dos anéis.
O paciente pode voltar às atividades normais em poucos dias.
Vantagens dos Anéis Intraestromais:
- Procedimento cirúrgico relativamente simples e rápido.
- Mais uma alternativa para a diminuição do defeito óptico.
- Tornam o formato da córnea mais regular.
- Melhoram a qualidade da visão, se comparados com o uso de lentes de contato.
Desvantagens dos Anéis Intraestromais:
- Corrigem parcialmente o defeito da visão, mas é necessário um auxílio óptico adicional.
- Risco de perfuração da córnea no momento da cirurgia, em casos de córneas muito finas.
- Embora raro, pode haver migração dos anéis através da córnea com expulsão para a superfície corneana, implicando na necessidade de sua retirada. Ocorre, geralmente, em pacientes que sofrem de conjuntivite alérgica e que continuam a coçar os olhos após a cirurgia.
Como em qualquer procedimento cirúrgico, existem complicações potenciais como infecção ou inflamação da córnea, o que pode resultar na necessidade de remoção do implante.
Como esse é um procedimento relativamente novo, os resultados em longo prazo ainda não são conhecidos.
O IOC tem a experiência e a competência para oferecer diferentes opções de tratamento, proporcionando a mais adequada escolha. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (41) 3322-2020 ou pelo formulário do site.